sábado, 20 de fevereiro de 2016

O Garoto da Biblioteca





Foi um dia ensolarado não haviam nuvens no céu, desde que despertei o sol me desejava bom dia sorridente enquanto eu o olhava com cara de emburrada, sabia que aquele dia seria difícil. Não gosto de dias quentes, gosto dos dias frios, é neles que me sinto confortável, dias estes que conto meus passos e até agradeço pelo bom dia que o sol me deseja, agora esses dias quentes me deixam desconfortável e no final do dia o que resta não são sorrisos e sim uma garota sofrendo com mais uma das enxaquecas que gostam de aparecer nesses dias, porém este dia foi diferente por causa dele o final foi modificado.

–Em que posso lhe ajudar.
– Bom vamos ver, Brisa é esse seu nome? Ele falou apontando para meu crachá.
– Sim, me chamo Brisa.
– Que nem a brisa do mar, vento leve, fresco, considerado como agradável.
– Já me acostumei quando fazem brincadeiras ou me relacionam com algo apenas agradável, mas eu posso ser mais que um vento leve. _ Não sei porque ouvir dele o que os outros sempre me chamaram me irritou tanto, mas eu continuei. 
– Desculpe ser groseira, mas já sendo você não deve fazer brincadeira com o nome das pessoas, você não sabe, mas nomes carregam um grande história e significação por trás deles, eu não sou apenas um brisa agradável ou um vento leve eu sou, eu sou forte e posso ser um furacão.
– Eu sabia que por trás daquela calmaria havia uma tormenta.
– Do que você esta falando?
– Me chamo Ari, e faz um tempo que venho te observando. Você nunca se aproxima das mesas, só vem caso precisam de ajuda e mesmo assim você sempre faz uma carinha de desgosto quando teu chefe te manda atender os leitores, você nunca sorri a não ser quando esta entretida com alguma história é ai que você fica mais linda quando você sorri.
– Quem é você, um stalker, um tarado?
– Eu já disse me chamo Ari e tenho te observado a um bom tempo e não só aqui, na faculdade também, você parece um bichinho assustado, por isso queria te provocar pra saber o que havia por baixo daquela calmaria.
– Se você não precisa de minha ajuda eu vou voltar para minha velha e costumeira calmaria. Dei-lhe as costas sem olhar para traz e voltei para minha rotina.


Rotina...

Pensei que não o veria mais, para meu azar depois do nosso pequeno conflito na biblioteca comecei a enxerga-lo, na faculdade, na esquina, até no mercadinho perto de minha casa. De início pensei que ele era um maluco, um tarado, mas com o passar do tempo comecei a observa-lo e vi que ele diferente de mim era uma pessoa animada e rodeada de amigos. Ele era meu colega em duas matérias na faculdade, mas eu não havia notado, como não noto a maioria nos meus colegas. Você deve estar se perguntando que tipo de garota sou eu? Bom eu sou aquela garota que prefere ficar sozinha, que gosta mais da companhia de um livro do que de alguém de carne e osso, sou esclusa da sociedade, trabalho e volto para casa apenas para me trocar comer algo e volto para faculdade, depois volto para casa e minha rotina se repete. Ai você se pergunta o porque de me esconder, porque ficar sozinha e não querer fazer amigos, e ai eu lhe conto caro leitor que essa 'eu' de agora é o resultado da 'eu' do passado, este repleto de lembranças tristes e decepções, e esse é o motivo de querer ficar sozinha de não querer cultivar amizades por medo de ser traída e magoada de novo, essa é a 'eu' que tem medo de se apaixonar e ser jogada fora. E é por esse motivo, que não deixarei Ari se aproximar de mim, pois quanto mais o observo mais o quero e quanto mais o quero mais eu tenho medo.


Depois de algumas semanas...

Semana após semana, Ari aparecia na biblioteca fazia suas pesquisas e no final me chamava para ajuda-lo a escolher um livro para lê-lo. Ari me deixou instigada em querer saber quem ele era, de quem eu era.

Então num dia ensolarado, tão quente que parecia um deserto Ari estava lá no seu lugar de sempre, sentado estudando e me observando, como sempre fazia, e como sempre eu desejava ter coragem de chegar conversar, queria saber mais dele,precisava perguntar o que o deixava curioso a meu respeito, mas não sabia como, então foi quando as circunstancias ficaram a meu favor.

Estava organizando o catálogo dos novos livros quando minha chefe me chamou pedindo que auxilia-se na pesquisa de um dos alunos, para minha surpresa o aluno era Ari. Ele sempre pedia que recomendasse livro, mas nunca pediu ajuda para seus trabalhos. Enxuguei as mãos que estavam úmidas peguei o papel com a lista de livros para sua pesquisa e segui para as prateleiras a sua procura. Quando estava terminado de encontrar os últimos livros da lista Ari aparece atrás de dando um susto, o grito ficou trancado no meu peito, o que saiu foi um pulinho desengonçado e uma cara horrorosa de espanto, seguida de um belo tabefe que eu o dei por chegar por trás daquela forma.


Ponto inicial...

– Você não vai me perguntar nada?
– Eu não tenho nada pra perguntar.
– Tem sim, você esta com varias perguntas engasgadas ai, pode começar o interrogatório.
– Que música você esta escutando?
– Fools do Troye Sivan, conhece?
– Sim, acho ela linda e não só essa mas as outras duas que dão continuação para a história desse clipe.
– Sempre penso em você nesta parte: "Embora eu tente resistir, eu ainda quero tudo" e logo mais quando ele fala "Só os tolos se apaixonam por você".
– Porque você seria um tolo por see... _ não consegui terminar de perguntar então ele continuou.
– Porque eu sou um tolo que mesmo sabendo que não resistindo e sabendo que eu não posso ter eu quero, eu quero ter você. _ Engoli seco e mudei de assunto a mais rápido que consegui pensar.
– Então, desde que você me disse seu nome eu fiquei curiosa a respeito e acabai pesquisando sobre seu significado. Ari é um nome de origem nórdica não é?
– Meu nome tem origem nórdica, meus pais escolheram esse por que ele significa “águia”, e além do nórdico ele tem outras origens do armênio, que quer dizer “corajoso” e do hebraico Aryeh, que quer dizer literalmente “leão”. Eles queriam que seu filho tivesse um nome forte, e pra eles Ari encaixou ao seu propósito. É um nome diferente, mas vocês se acostuma ele acaba te conquistando assim como a pessoa que o possui. 
–Você não perde tempo não é.
–Tempo é sagrado minha doce garota.
–Eu não sou sua garota.

Dei as costas voltando para o meu cantinho, este que eu não devia ter saído, mas quando ia dar o segundo passo senti uma mão descendo pelo meu ombro parando no meu cotovelo e me puxando de encontro a um par de olhos cinzas que fitavam com desejo. Enquanto ficava ali entorpecida pelo calor de sua mão e olhos, ele começou a falar:

– Brisa, me desculpe eu não queria te assustar, mas eu preciso ser direto, você precisa saber que quero você.
– Desculpe Ari, mas eu não quero me envolver com ninguém eu não posso me apaixonar. 

No momento que Ari continuaria a ludibriar-me meu chefe me chamou e essa foi a deixa para escapar da tentação que era estar pero dele


Enfim sós...

Dia após dia, Ari não desistia ele permanecia fiel as suas visitas a biblioteca, ele não desistia sempre que conseguia um tempo para me abordar e quando não conseguia ele criava. Ao contrario do que pensava estava ficando ansiosa a cada encontro, estava viciada e quando dei por mim o que temia aconteceu, estava apaixonada por Ari.

Mais uma semana, mais uma rotina pra seguir. Desta vez o sol não estava me testando, ele me deixou seu bom dia e um desejo passou por seus lábios "Seja Feliz".

Ao chegar ao trabalho meu chefe já pediu que fosse a secretária arrumar os arquivos, isso significava que não veria Ari, que ficaria trancada o dia todo, o que deixou uma tristeza no ar. Segui para a secretaria, peguei meus fones apertei o play, a música que estava tocando era 
"OUTRO: Love is Not Over" do BTS, o que me fez rir, o destino estava me falando para acordar e sair do sonho que criei só podia. Peguei meu mp4 e passei para passei para a próxima música era "Echo" do Incubus, uma de minhas preferidas, e que por mais incrível que seja combinava com tudo que estava acontecendo, principalmente na parte em que ela dizia: "Meu maior medo vai ser meu resgate", comecei a rir, só podia ou eu estava ficando louca ou meu anjo da guarda estava trabalhando através do meu mp4 pra me mostrar algo que não estava encontrando. Foi então que a porta se abriu e um Ari determinado entrou.

– O que você faz aqui, essa sala é só para funcionários, se alguém me pegar com você serei advertida ou demitida.
– Brisa eu não posso mais esperar por você, eu preciso ter alguma certeza da sua parte pra poder continuar.

Ari, me puxou mais pra perto deixando nossos corpos mais perto, aproximou seus lábios da minha nuca seguindo para meu ouvido.

– Não posso esperar a eternidade por você, cavaleiros de armadura não existem eu não sou um cavaleiro, sou apenas um garoto tolo apaixonado por uma doce garota perdida e com medo de se envolver.

Não percebi, mas meus olhos estavam marejados, foi então que peguei seu rosto encarei aqueles olhos misterioso e lentamente me aproximei dos seus lábios para o beijo que tiraria o chão dos meus pés.

–Eu não quero nenhum cavaleiro, não gosto de príncipes nem sapos, gosto do concreto, gosto do que posso tocar, e eu posso tocar em você Ari, eu só não queria.
– Ás vezes querer não é poder minha querida Brisa.

Não pensei que aquele garoto poderia mexer tanto comigo quanto estava, não só nos meus pensamentos agora Ari estava me deixando sem ar, sem força para pensar, já não agia mais com raciocino era apenas meu corpo e o desejo selvagem que dominava meu ser. Quando aquele beijo quente e doce terminou Ari com os lábios ainda sobre os meus falou:

– Você achou que não conseguiria fazer isso não é, mas fique surpresa Ari, pois eu sou forte e eu posso fazer isso também.



Será este o fim?

Eu não sei o que acontecera entre Brisa e Ari, nada é certo, tudo é duvidoso quando se trata desses dois. Brisa a garota medrosa que luta pra não deixar Ari entrar em seu coração, e Ari o garoto persistente e encantador que só deseja estar no coração de Brisa. Estou curiosa para saber como esses dois vão fazer, mas eu ainda não sei quais serão seus passos.


P.s: Essa Fanfic conto, crônica ou qualquer nome que você queira dar, ou eu chama-la é criação minha. Por favor respeite os direitos autorais dela.

P.s.s: Fazia um tempo que queria criar uma história que se passasse numa biblioteca, que envolvesse livros e música, mas nunca parava para escrever, no fim essa história só saiu do meu pensamento logo após um sonho, então eu peguei-o enfeitei aqui e ali e no final saiu a história do "Garoto da Biblioteca", o "Garoto que passeou nos meus sonhos".

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